Os zumbis de “Walking Dead”, enfim, chegam ao Facebook

 

A versão open beta de The Walking Dead Social Game, lançada no dia 9 de agosto, é uma antiga tentativa de adaptação do seriado homônimo transmitido pelo canal Fox. O mundo infestado por zumbis, um pequeno grupo de sobreviventes reunidos num acampamento sombrio, lutando por suas vidas. Ou melhor, você, o  jogador, lutando pela vida de todos, aceitando as missões daqueles folgados personagens não jogáveis do seriado, que se configuram basicamente entre  um ou dois objetivos: matar zumbis e coletar suprimentos. O jogo está dividido em capítulos que contêm um determinado número de missões. Ao longo da história, novos personagens jogáveis, mais experientes, entram na jogada, o que não muda absolutamente nada, pelo contrário, só complica. Para variar, assim como toda a pontuação de jogos para redes sociais, esta é desenvolvida para aqueles que desejam investir dinheiro em prol da evolução. Algo que The Walking Dead Social Game está longe de conseguir, embora nas pessoas exista gosto para tudo.

No mundo dominado por zumbis, inteligência e moral são vendidas na loja

O título se aproxima de um RPG  básico integrado por um point-click e ataques em turno. O  jogador só visualiza o cenário conforme vai andando por ele. A pontuação é arquitetada da seguinte forma – demorei um pouco para associar, porque não li o tutorial e só quando minha energia acabou é que veio a iluminação lógica: a cada conjunto de sete passos que o personagem dá, é subtraída uma (-1) energia. Isto é, se você recebeu a missão de coletar suprimentos ou matar os zumbis, a grande sacada é dar menos passos para concluir a missão. Quando acaba a energia, acaba o jogo. Mas justiça seja feita, ao retomar o jogo, ele reinicia do ponto onde o jogador parou.

Talvez o melhor momento do jogo seja matar os zumbis. Se essa era a proposta dos desenvolvedores, eles conseguiram. Ao clicar no morto-vivo, surge uma mira neurótica que fica circulando em torno do zumbi. Você sabe que é o momento de clicar quando ela fica vermelha, daí é perfetc! O jogo podia ser apenas isso e se tornaria um puzzle. O único problema é que volta e meia, lado a lado com os  zumbis, aparece a foto de um conhecido do Facebook – leia-se:  seu amigo quer te matar, mate-o antes. E você mata. Digamos que matar um amigo que virou zumbi é algo bem corriqueiro nas histórias em quadrinhos (HQs), filmes, desenhos e seriados, mas no jogo esta sensação não é transmitida, ficou perdida. Após o nível 4, ao  aceitar uma missão, o jogador pode optar entre dois modos: expert e normal. No expert, a mira enlouquece e é quase  impossível acertar o alvo. Caso o personagem secundário – aqueles agregados ao grupo, ao longo da história – não sobreviva ao ataque de um morto-vivo, é necessário arcar com Dead Dollars para resgatá-lo. Literalmente, você é quem morrerá na grana.

O jogador recebe as missões, as executa, ganha pontos e pronto. Entre os pontos, além do dinheiro para aquisição de armas, munições, suprimentos, inteligência e moral, o jogador recebe experiência para investir nas habilidades dos personagens. E as habilidades são: visão,  força, movimento, soco e tiro. O conceito é sensacional: moral e inteligência se encontram no mesmo nível das armas e munições e, do mesmo jeito que você as adquire, pode também perdê-las. Ah! Vale considerar que a moral é medida pelo nível de interação social do personagem. Volta e meia, para preencher os critérios de uma missão, o personagem precisa interagir com os colegas de acampamento. Assim, ele fica com a moral cheia e mais inteligente.

Os zumbis saíram direto do “Plants vs Zombies” para “The Walking Dead Social Game”

Engraçado é o som emitido pelos mortos-vivos, ao nos aproximarmos deles. O efeito sonoro é potencializado ainda mais quando jogamos à noite, algo bastante parecido com o ronco de uma pessoa (viva). O barulho dos passarinhos no acampamento, para transmitir tranquilidade, é quase um ringtone desses que as pessoas mais estressadas instalam em seus telefones. Não tem uma ave viva neste jogo, é a mesma coisa que colocar som de cachoeira ou mar sem enfatizar o visual. A trilha sonora que surge nos momentos de tensão é bacana, não se percebe o looping porque se está preocupado em acertar o zumbi. Já a parte visual não tem nenhuma peculiaridade, não há  referência no seriado nem nas HQs. Os mortos-vivos de The Walking Dead Social Game parecem ter migrado de Plants vs Zombies, da PopCap Games.

Porém, The Walking Dead Social Game merece algum crédito, ao tentar fugir das mecânicas tradicionais dos jogos desenvolvidos para redes sociais, buscando incorporar elementos de estratégia em turno nos combates com os zumbis. Mas, ainda assim, sua  mecânica é repetitiva, o que  leva facilmente o jogador ao cansaço.