Cart Life é “um Farmville com lattes”

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Divorciada recentemente, Melanie pretende montar seu próprio negócio e luta contra o tempo pois precisa provar ao juiz que tem condições financeiras para cuidar de sua filha adolescente, Laura. Enquanto isso, o ucraniano Andrus tem a esperança de recomeçar uma nova vida nos Estados Unidos e vai trabalhar em uma banca de jornal. Ele possui duas paixões: o gato Glembovski e cigarros. Vinny é um talentoso confeiteiro e proprietário de um carrinho de roscas. Seu desafio? Pagar o aluguel e manter o vício do café, adquirido recentemente. Sem cafeína, ele fica fadigado.

No jogo indie de simulação, Cart Life (2011), desenvolvido por Richard Hofmeier, o jogador pode assumir um dos três personagens e seu objetivo central é prosperar em seus respectivos negócios, conciliando as questões da vida pessoal. Segundo a entrevista de Hofmeier ao Gamasutra, a ideia inicial foi escrita atrás de papéis de contas e o jogo foi desenvolvido no editor de aventura AGS (Adventure Game Studio). O objetivo de Richard era fazer um jogo realista, um game que ele desejava jogar quando era criança, que ensinasse a viver. “Apesar deste jogo falhar em todos os seus sentidos, parece que as pessoas apreciam a tentativa, provavelmente porque este tipo de jogo ainda necessita ser bem feito”, conta o desenvolvedor.

O game não é fácil, Hofmeier brinca de Cart Life é um “Farmville com lattes”. E, realmente, a navegabilidade não facilita, o excesso de diálogo, de informações, a estética do jogo inspirada em Pixel Art e em preto e branco, a trilha sonora e os efeitos especiais que fazem jus ao Atari e os poucos bugs que o jogo apresenta, deixam claro que, definitivamente, Cart Life não é para qualquer jogador. E, então, o que faz do jogo uma experiência positiva?

Os elementos da vida real, baseados no universo infantil de Richard Hofmeier, representados por personagens fortes e  dramáticos, transforma o título em uma espécie de livro a ser explorado. Onde o desenrolar da história depende da sua interação e da sua paciência. Uma decisão que deixe de ser tomada ou que demore, se tornam em conseqüências irreversíveis nas vidas dos personagens. A imprevisibilidade do roteiro motiva o jogador a retornar ao game por mais que ao desligá-lo, diga:  “esse jogo é muito difícil, não dá”.

Cart Life foi desenvolvido em uma engine pronta, ou seja, são mecânicas básicas, conhecidas, nada inovadoras. No entanto, a realidade dramática que Hofmeier implementou dá todo o valor ao seu trabalho que concorreu o festival de jogos independentes IndieCade, em 2012, e como ele mesmo diz: “falha em todos os sentidos”.

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